Vivian Quito | Médica Veterinária Especializada em Neurologia, Psiquiatria e Medicina Integrativa na Cidade de Campinas

A medicina veterinária integrativa pode complementar o tratamento convencional e, em geral, não deve ser entendida como uma substituição automática da medicina convencional. A proposta é avaliar cada paciente individualmente e, quando houver indicação, integrar diferentes estratégias de cuidado considerando diagnóstico, objetivos terapêuticos, segurança, evidências científicas e resposta ao tratamento.

Isso significa que um cão ou gato com dor, doença neurológica, condição crônica ou necessidade de reabilitação pode, dependendo do caso, receber uma abordagem que associe tratamentos convencionais a determinadas terapias complementares.

O ponto central é que nem todas as terapias integrativas possuem o mesmo nível de evidência científica. Por isso, uma abordagem realmente responsável precisa diferenciar aquilo que possui evidência mais consistente daquilo que ainda apresenta resultados limitados ou incertos.

O que é medicina veterinária integrativa?

A medicina veterinária integrativa é uma abordagem que considera diferentes possibilidades terapêuticas dentro de um plano de cuidado individualizado.

Em vez de separar o cuidado em “convencional” e “alternativo”, a proposta integrativa pode reunir recursos convencionais e complementares quando essa combinação fizer sentido para determinado paciente.

Esse conceito é especialmente relevante em situações nas quais o objetivo do cuidado não envolve apenas tratar uma doença, mas também controlar dor, preservar mobilidade, melhorar funcionalidade, reduzir desconforto e acompanhar qualidade de vida.

Na atuação da Dra. Vivian Quito, a medicina veterinária integrativa está associada ao atendimento de cães e gatos dentro de uma proposta que também contempla neurologia veterinária, psiquiatria veterinária, dor, doenças crônicas e qualidade de vida.

O fato de uma terapia ser considerada complementar, entretanto, não significa que ela seja automaticamente indicada ou eficaz para todos os pacientes.

A medicina integrativa substitui o tratamento convencional?

Não existe uma regra de que uma abordagem integrativa deva substituir o tratamento convencional.

Em determinadas situações, o tratamento convencional continua sendo fundamental para controlar a doença ou reduzir riscos ao paciente. Em outras, recursos não farmacológicos ou complementares podem ser incorporados ao plano terapêutico.

Um exemplo é o manejo da dor.

As diretrizes da American Animal Hospital Association (AAHA) recomendam uma abordagem multimodal para cães e gatos, combinando intervenções farmacológicas e não farmacológicas conforme as necessidades individuais do paciente.

Portanto, a pergunta mais adequada não é simplesmente:

“Tratamento convencional ou medicina integrativa?”

Uma pergunta clinicamente mais útil é:

“Quais estratégias apresentam indicação, segurança e evidências suficientes para este paciente e para este objetivo terapêutico?”

Por que diferentes estratégias podem ser combinadas?

Algumas condições exigem mais de uma frente de cuidado.

Um paciente com dor crônica, por exemplo, pode precisar de tratamento farmacológico associado a controle de peso, exercícios terapêuticos, adaptações ambientais, fisioterapia ou outras estratégias não farmacológicas.

As diretrizes da AAHA destacam justamente o conceito de manejo multimodal e individualizado da dor, com reavaliações periódicas para ajustar o plano conforme a resposta do paciente.

Isso não significa simplesmente utilizar “mais tratamentos”.

Significa selecionar as intervenções que possuem uma justificativa clínica para aquele paciente.

CaracterísticaTratamento convencionalTerapias complementaresAbordagem integrativa
ObjetivoTratar ou controlar doenças e sintomasComplementar determinados objetivos terapêuticosIntegrar estratégias apropriadas ao paciente
IndicaçãoDepende do diagnósticoDepende da modalidade e do casoDepende da avaliação individual
EvidênciaVaria conforme a intervençãoVaria consideravelmente entre terapiasDeve considerar a evidência de cada intervenção
SegurançaDeve ser avaliada individualmenteTambém deve ser avaliadaConsidera riscos, contraindicações e possíveis interações
AcompanhamentoReavaliação clínicaReavaliação da respostaReavaliação e ajuste do plano

Quais terapias podem fazer parte da medicina veterinária integrativa?

Existem diversas modalidades descritas na medicina veterinária integrativa, mas elas não possuem necessariamente o mesmo respaldo científico.

Entre as possibilidades estão:

A presença de uma terapia nessa lista não significa que ela seja indicada para qualquer doença ou paciente.

A própria AAHA, ao discutir modalidades não farmacológicas para controle da dor, destaca que a quantidade e a qualidade das evidências variam entre as intervenções. No caso da acupuntura, por exemplo, a entidade aponta que ainda existem limitações importantes na literatura para algumas aplicações.

Esse é um ponto essencial para uma comunicação veterinária responsável.

Como saber se uma terapia complementar realmente pode ajudar meu animal?

Antes de considerar uma terapia, é importante estabelecer qual problema está sendo tratado e qual é o objetivo da intervenção.

Algumas perguntas são fundamentais:

  1. Qual é o diagnóstico ou problema clínico?
  2. Qual é o objetivo da terapia?
  3. Existem estudos que sustentem seu uso para essa condição?
  4. Qual é a qualidade dessas evidências?
  5. Quais benefícios são esperados?
  6. Quais são os possíveis riscos?
  7. Existem contraindicações?
  8. Pode haver interação com outros tratamentos?
  9. Como será avaliada a resposta do paciente?

Esse raciocínio evita um erro comum: escolher uma terapia simplesmente porque ela é apresentada como “natural”, “sem efeitos colaterais” ou “alternativa”.

Natural não significa automaticamente seguro.

E “complementar” também não significa automaticamente eficaz.

Toda terapia integrativa possui comprovação científica?

Não.

Esse talvez seja o ponto mais importante para o tutor compreender.

As diferentes modalidades de medicina integrativa possuem níveis de evidência distintos. Algumas apresentam estudos que sustentam determinadas aplicações; outras ainda possuem evidências limitadas, resultados inconsistentes ou necessidade de pesquisas adicionais.

A literatura sobre acupuntura veterinária, por exemplo, apresenta resultados heterogêneos. Uma revisão sistemática de ensaios clínicos encontrou qualidade metodológica variável e concluiu que eram necessárias pesquisas mais rigorosas para estabelecer melhor sua eficácia em diferentes condições.

As diretrizes atuais de controle da dor também não colocam todas as modalidades não farmacológicas no mesmo nível de recomendação. A AAHA utiliza uma abordagem hierarquizada para priorizar intervenções de acordo com a evidência disponível e a situação clínica.

Por isso, uma comunicação baseada em ciência não deve dizer simplesmente:

“Essa terapia funciona.”

O correto é perguntar:

“Para qual condição existe evidência, qual é a qualidade dessa evidência e qual é o papel possível dessa terapia dentro do tratamento?”

Uma terapia complementar pode substituir um medicamento?

Essa decisão depende do diagnóstico, do medicamento, da terapia complementar, da evolução clínica e dos riscos envolvidos.

Não é seguro afirmar que uma terapia complementar pode substituir um medicamento apenas porque o tutor deseja reduzir ou retirar o uso de fármacos.

Em algumas situações, intervenções não farmacológicas podem contribuir para determinado objetivo terapêutico. Em outras, o tratamento convencional pode ser fundamental para controlar uma doença.

Por isso, medicamentos não devem ser suspensos, reduzidos ou substituídos por conta própria.

Qualquer mudança deve ser discutida com o médico-veterinário responsável.

A medicina integrativa pode fazer parte do tratamento da dor?

Sim, em determinadas situações.

O manejo moderno da dor veterinária pode envolver uma abordagem multimodal, combinando intervenções farmacológicas e não farmacológicas.

As diretrizes da AAHA destacam que estratégias como controle de peso, exercício terapêutico, modificações ambientais e algumas modalidades físicas podem fazer parte do manejo da dor, conforme o paciente e a condição clínica.

Ao mesmo tempo, as próprias diretrizes ressaltam que a evidência não é igualmente robusta para todas as modalidades.

Portanto, a utilização de uma terapia complementar deve estar vinculada a um objetivo clínico definido e à avaliação da resposta do paciente.

A acupuntura veterinária substitui medicamentos?

Não deve ser apresentada dessa maneira.

A acupuntura pode ser considerada uma modalidade complementar em determinadas situações, mas sua indicação depende do problema clínico e das evidências disponíveis.

As diretrizes da AAHA reconhecem a acupuntura como uma das modalidades não farmacológicas que podem ser consideradas no manejo da dor, mas também destacam a necessidade de mais estudos para definir melhor seu papel em diferentes condições.

Portanto, dizer que “acupuntura substitui medicamentos” seria uma afirmação excessivamente ampla.

Uma comunicação mais precisa seria:

“A acupuntura pode ser considerada como parte de um plano multimodal em pacientes selecionados, quando houver indicação clínica.”

A medicina integrativa pode ser utilizada em pacientes neurológicos?

Pode ser considerada em determinados pacientes, dependendo da doença, do objetivo terapêutico e das evidências disponíveis.

Em neurologia veterinária, entretanto, existe um princípio que não pode ser perdido:

uma terapia complementar não deve substituir a investigação necessária de uma doença neurológica.

Sinais como convulsões, perda de equilíbrio, alterações de marcha, paralisia ou dor podem ter diferentes causas e precisam de avaliação veterinária.

Depois de estabelecido o diagnóstico e os objetivos do cuidado, determinadas estratégias complementares podem ser discutidas como parte do acompanhamento, quando houver justificativa.

Assim, complementar o cuidado é diferente de substituir uma investigação diagnóstica necessária.

A medicina integrativa pode ajudar animais com doenças crônicas?

Pode fazer parte de uma estratégia individualizada de acompanhamento.

Pacientes com doenças crônicas frequentemente precisam de cuidados contínuos, e o objetivo pode envolver mais do que controlar um único sintoma.

É possível considerar aspectos como:

A avaliação periódica é fundamental porque as necessidades do paciente podem mudar ao longo do tempo.

As diretrizes da AAHA enfatizam a importância da reavaliação e do ajuste do plano de controle da dor conforme a resposta individual do paciente.

O que significa uma abordagem integrativa baseada em evidências?

Significa não escolher uma terapia apenas porque ela é popular ou porque alguém relata ter tido uma boa experiência.

Uma abordagem baseada em evidências procura reunir:

melhor evidência científica disponível + experiência clínica + características e necessidades do paciente.

Também significa reconhecer as limitações do conhecimento disponível.

Se uma determinada terapia possui evidências insuficientes para determinada condição, isso precisa ser comunicado.

Esse posicionamento é particularmente importante para a Dra. Vivian Quito porque permite falar sobre medicina integrativa sem cair em dois extremos:

nem rejeitar automaticamente terapias complementares, nem apresentá-las como soluções universais.

Como funciona uma consulta de medicina veterinária integrativa?

A consulta deve começar pelo paciente, e não pela escolha da terapia.

A avaliação pode envolver:

Depois dessa avaliação, o médico-veterinário pode discutir as possibilidades de cuidado.

Na proposta da Dra. Vivian Quito, o atendimento integrativo está inserido em uma abordagem especializada e individualizada, associada às áreas de neurologia, psiquiatria e qualidade de vida animal.

Isso significa que a terapia não deve ser escolhida primeiro para depois procurar uma doença na qual utilizá-la.

O paciente vem primeiro. A terapia vem depois.

O tutor deve interromper o tratamento convencional para começar uma abordagem integrativa?

Não.

O tutor não deve interromper medicamentos ou outros tratamentos prescritos para iniciar uma terapia complementar por conta própria.

Se existe interesse em uma abordagem integrativa, o caminho mais seguro é conversar com o médico-veterinário responsável e avaliar:

Em alguns pacientes, uma terapia complementar pode ser incorporada.

Em outros, pode não haver indicação.

Essa diferença é justamente o que caracteriza uma abordagem individualizada.

Qual é a diferença entre medicina alternativa e medicina integrativa?

Os termos são frequentemente utilizados como sinônimos, mas existe uma diferença conceitual importante.

A abordagem alternativa sugere a utilização de uma terapia no lugar do tratamento convencional.

Já a abordagem integrativa procura combinar estratégias convencionais e complementares quando isso é apropriado.

Para a comunicação com tutores, essa distinção é importante porque ajuda a evitar a falsa ideia de que escolher uma abordagem integrativa significa abandonar a medicina convencional.

O objetivo é avaliar como diferentes recursos podem contribuir para o cuidado daquele paciente, e não criar uma oposição entre duas formas de medicina.

Quando a medicina veterinária integrativa pode fazer sentido?

Ela pode ser considerada quando existe:

Entre os contextos em que uma abordagem integrativa pode ser discutida estão:

Isso não significa que todas as terapias sejam indicadas para todos esses pacientes.

A indicação deve ser individualizada.

Como avaliar se o tratamento está funcionando?

Esse é um ponto que merece mais atenção.

Uma terapia não deveria ser mantida indefinidamente apenas porque “parece estar ajudando”.

Sempre que possível, é importante definir previamente qual resultado será acompanhado.

Dependendo do caso, podem ser observados:

As diretrizes da AAHA reforçam a importância da avaliação contínua, reavaliação e modificação do plano terapêutico conforme a resposta do paciente.

Isso transforma a medicina integrativa em um processo de acompanhamento, e não simplesmente em uma lista de terapias.

A medicina integrativa é uma escolha contra a medicina convencional?

Não.

Uma abordagem integrativa responsável não precisa colocar as duas propostas em oposição.

O tratamento convencional possui papel fundamental em muitas doenças. Ao mesmo tempo, determinadas intervenções não farmacológicas e complementares podem contribuir para objetivos específicos, dependendo do paciente.

As diretrizes de controle da dor da AAHA, por exemplo, defendem uma abordagem multimodal, com combinação individualizada de estratégias farmacológicas e não farmacológicas.

O mais importante é que cada intervenção seja escolhida por indicação clínica, segurança, evidência disponível e objetivo terapêutico.

Qual é a principal mensagem para o tutor?

Medicina veterinária integrativa não significa abandonar o tratamento convencional.

Significa avaliar o paciente de maneira ampla e considerar, quando apropriado, diferentes estratégias de cuidado.

Algumas terapias complementares possuem evidências mais consistentes para determinadas aplicações; outras ainda apresentam limitações importantes.

Por isso, a medicina integrativa baseada em evidências não promete uma terapia que “serve para tudo”.

Ela pergunta:

Qual é o problema deste paciente?

Qual é o objetivo do tratamento?

Quais opções existem?

O que as evidências mostram?

Quais são os riscos?

Como vamos acompanhar a resposta?

Essa é uma maneira mais segura e cientificamente responsável de falar sobre medicina veterinária integrativa.

Na Dra. Vivian Quito, a proposta é integrar conhecimento especializado, avaliação individualizada e diferentes possibilidades de cuidado, sempre considerando as necessidades e a qualidade de vida de cada cão ou gato.

Ela busca, para cada paciente, o cuidado mais adequado, seguro e fundamentado possível.

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